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Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs): O Que Esperar

Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs): O Que Esperar

11/01/2026 - 14:18
Marcos Vinicius
Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs): O Que Esperar

As moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) despontam como a evolução natural do dinheiro, trazendo potencial para transformar a forma como realizamos pagamentos, investimentos e transferências.

Este artigo explora de forma aprofundada o conceito, os modelos técnicos, casos práticos, benefícios, riscos e cenários futuros, com foco especial no Drex, a CBDC brasileira.

O que é uma CBDC?

Uma CBDC é a moeda nacional em forma digital, emitida e regulamentada pelo banco central, com curso legal equivalente ao dinheiro físico. Diferente de criptomoedas privadas, ela oferece paridade segura 1:1 com a moeda corrente, preservando confiança e estabilidade.

Em termos técnicos, pode usar blockchain permissionada ou infra centralizada, mas sempre sob controle exclusivo da autoridade monetária. Seu objetivo principal é modernizar o sistema financeiro, proporcionando maior eficiência, segurança e inclusão.

Panorama Global

Mais de 130 países avaliam ou desenvolvem CBDCs, representando cerca de 98% do PIB mundial. Segundo o FMI, aproximadamente 100 nações estão em fases práticas, como pesquisa avançada, piloto ou lançamento oficial.

  • Mais de 32 países já realizam testes-piloto
  • Cobertura de 98% do PIB global
  • Foco em pagamentos de varejo e atacado

Essa ampla adoção reflete a busca por pagamentos mais rápidos e baratos, resposta às stablecoins privadas e necessidade de interoperabilidade transfronteiriça.

Modelos Técnicos

Os principais modelos de CBDC se dividem em varejo (retail) e atacado (wholesale). As de varejo destinam-se a pessoas e empresas, visando substituir ou acompanhar o papel-moeda em transações do dia a dia, inclusive offline.

Já as de atacado atendem instituições financeiras, focando em liquidação de grandes valores, câmbio e mercados de capitais, com liquidação quase instantânea e segura.

A arquitetura pode ser:

  • DLT permissionada, com nós operados pelo banco central e participantes autorizados
  • Infraestrutura centralizada tradicional, similar aos sistemas de pagamentos atuais
  • Modelo de duas camadas, onde intermediários (bancos e fintechs) distribuem a moeda ao público

A escolha entre conta ou token digital define se o usuário mantém saldo em conta junto ao BC ou carrega um token em carteira digital.

Experiências Internacionais

Os casos mais avançados ilustram diferentes motivações e desafios. O e-CNY chinês, conduzido pelo PBoC, já está em testes em 29 regiões, integrado a apps de pagamento e serviços públicos.

  • Bahamas: Sand Dollar, lançado para inclusão em ilhas remotas
  • Nigéria: eNaira, exemplo de desafios de interoperabilidade
  • Zona do Euro: estudo sobre "Euro digital" com alta preocupação em privacidade

Projetos como o mBridge, envolvendo China, Tailândia e Emirados, demonstram o uso de DLT para pagamentos P2P em tempo real entre bancos centrais.

O caso do Drex no Brasil

O Drex, CBDC brasileira, está em fase piloto controlado pelo Banco Central do Brasil. Visa modernizar pagamentos instantâneos, integrando carteiras digitais e sistemas de compensação existentes.

Entre os objetivos principais estão reduzir custos de transação, aumentar a inclusão financeira de qualidade e permitir dinheiro programável em smart contracts para benefícios sociais e subsídios automatizados.

Benefícios das CBDCs

As CBDCs trazem múltiplas vantagens:

  • Inclusão financeira para desbancarizados
  • Eficiência de pagamentos quase em tempo real
  • Inovação com dinheiro programável via smart contracts

O uso de pagamentos 24/7 com custos reduzidos e soluções de backup para áreas sem infraestrutura bancária são destaques na lista de benefícios.

Riscos e Desafios

Apesar das vantagens, há riscos a serem gerenciados, como privacidade, segurança cibernética e potencial desintermediação bancária. A gestão cuidadosa desses pontos é crucial para evitar impactos negativos no sistema financeiro.

Impactos Econômicos

As CBDCs podem alterar a condução da política monetária ao oferecer novos instrumentos de controle de liquidez e taxas de juros. Além disso, incluem maior transparência nas transações e potencial redução de fraudes.

Em custo-benefício, a adoção em massa tende a reduzir tarifas de remessas internacionais e acelerar a integração de mercados emergentes ao sistema financeiro global.

Cenários Futuros

No médio prazo, espera-se uma coexistência entre dinheiro físico, contas digitais privadas e CBDCs. A longo prazo, a evolução tecnológica e a regulação vão determinar se as moedas digitais de bancos centrais se tornam predominantes.

Possíveis tendências incluem interoperabilidade global, pagamentos bilaterais diretos entre moedas, além de sistemas de votação ou registro de ativos baseados em DLT de CBDC.

Em qualquer cenário, a adoção responsável e equilibrada será fundamental para maximizar benefícios e minimizar riscos, garantindo que as CBDCs cumpram seu papel de inovar o sistema financeiro e promover inclusão.

Marcos Vinicius

Sobre o Autor: Marcos Vinicius

Marcos Vinicius atua como autor no ProjetoAtivo, produzindo artigos focados em gestão financeira pessoal, controle do orçamento e construção de segurança financeira no dia a dia.