Home
>
Tendências Financeiras
>
Finanças para Empreendedores: Crescimento e Sustentabilidade

Finanças para Empreendedores: Crescimento e Sustentabilidade

22/12/2025 - 11:06
Fabio Henrique
Finanças para Empreendedores: Crescimento e Sustentabilidade

Em um mercado cada vez mais competitivo, dominar as finanças é essencial para garantir não apenas o crescimento, mas também a longevidade do negócio.

Por que as finanças são decisivas para o crescimento sustentável

Grande parte dos pequenos negócios enfrenta baixa maturidade financeira, controlando receitas e despesas de forma pouco estruturada. Essa realidade limita o planejamento estratégico e pode prejudicar o fluxo de caixa no médio prazo.

Sem saúde financeira, iniciativas em marketing, inovação e expansão dificilmente sairão do papel. A agenda de sustentabilidade vai além do cuidado ambiental: envolve a sobrevivência do negócio, a gestão de riscos, o impacto social positivo e a governança financeira responsável.

Portanto, adotar uma gestão financeira profissional é o primeiro passo para empreendedores que desejam crescer de forma consistente, retomando o controle sobre decisões e preservando a viabilidade da empresa.

Diagnóstico da realidade financeira do pequeno empreendedor

Para entender os principais desafios, analisamos dados do Sebrae PR – “Hábitos Financeiros 2025”. Eles revelam como os micro e pequenos empresários organizam suas finanças.

2.1 Como os pequenos negócios controlam suas finanças

A seguir, a distribuição dos métodos de controle financeiro usados pelos empreendedores:

Esses números apontam para uma clara baixa estruturação da gestão, que impacta diretamente:

  • Previsão de caixa e necessidade de capital de giro;
  • Capacidade de investir em melhorias e expansão;
  • Tomada de decisão baseada em dados concretos.

2.2 Mistura de contas pessoais e da empresa

Outro aspecto crítico é a confusão entre finanças pessoais e empresariais. Segundo o estudo, 61% dos empreendedores realizam essa prática.

As consequências são graves:

  • Dificuldade para apurar a rentabilidade real do negócio;
  • Risco elevado de endividamento pessoal e empresarial;
  • Complicações na declaração de impostos e busca por crédito;
  • Incertezas sobre se a empresa realmente “se paga”.

2.3 Relação com instituições financeiras e meios de pagamento

Em relação a instituições bancárias, observa-se:

31% preferem bancos tradicionais, 26% optam por digitais e 27% não têm preferência definida, escolhendo conforme taxas e conveniência.

O Sebrae recomenda oferecer Pix e cartões como principais meios de pagamento, acompanhando o comportamento do cliente, além de avaliar diferentes bancos em busca de taxas menores e serviços adequados ao porte do negócio.

3. Organização financeira como base para crescimento

Com o diagnóstico em mãos, o próximo passo é estruturar processos que garantam disciplina e previsibilidade.

3.1 Controle financeiro básico, porém profissional

De acordo com o e-book do Sebrae “Tudo o que o empresário precisa saber para 2025”, esses são os pilares de um controle financeiro eficiente:

  • Registrar movimentações financeiras diariamente, anotando tudo que entra e sai do caixa;
  • Monitorar despesas e vencimentos para pagar em dia e evitar juros e multas;
  • Analisar o saldo diariamente para detectar déficit cedo e buscar capital de giro se necessário;
  • Investir em tecnologias (ERPs, softwares de gestão, plataformas de automação) para centralizar informações, gerar relatórios e programar pagamentos;
  • Calcular o ponto de equilíbrio, determinando o volume mínimo de vendas para cobrir custos obrigatórios.

O início do ano concentra diversos pagamentos: tributos, aluguel, fornecedores e folha. Um planejamento antecipado evita apertos de fluxo e surpresas de última hora.

3.2 Reserva financeira para dar sustentabilidade

Manter uma reserva financeira é fundamental para enfrentar imprevistos e planejar investimentos sem comprometer a operação. A recomendação é acumular recursos suficientes para cobrir de 3 a 6 meses de gastos fixos, como água, luz, internet e aluguel.

Além de amenizar impactos como aumento de impostos ou eventos climáticos extremos, essa reserva permite aproveitar oportunidades de crescimento e garantir a sobrevivência em crises.

4. Planejamento financeiro estratégico para crescimento

Estruturar metas e ciclos de revisão é o diferencial entre empurrar o dia a dia e alcançar resultados escaláveis.

4.1 Planejamento do negócio com foco em finanças

Segundo a ACSP, o planejamento deve incluir:

  • Análise de cenário e tendências de mercado antes de definir metas;
  • Revisão da saúde financeira com controle de custos, orçamento realista para marketing, produção e contratações;
  • Fundo de emergência alinhado à reserva financeira para imprevistos como alta de matéria-prima;
  • Uso de ferramentas como Canvas para modelo de negócio e softwares de gestão de tarefas para monitorar projetos;
  • Softwares financeiros (Conta Azul, QuickBooks ou equivalentes) para controle orçamentário e emissão de relatórios.

4.2 Estudo de viabilidade econômica e avaliação de resultados

Antes de novos investimentos ou expansões, a empresa deve realizar um estudo de viabilidade econômica. Isso envolve estimar se o aporte será lucrativo e sustentável a longo prazo.

Conceitos como TMA (Taxa Mínima de Atratividade), TIR (Taxa Interna de Retorno) e Payback (tempo de retorno do investimento) ajudam a comparar alternativas e decidir pelo projeto mais vantajoso.

Para isso, identifique todos os custos de produção e operação, interprete resultados e compare com a TMA definida, garantindo que cada passo seja financeiramente responsável.

Com essas práticas, o empreendedor constrói um ciclo virtuoso: maior previsibilidade permite decisões mais arrojadas, sustentando o crescimento e assegurando a longevidade do negócio.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

Fabio Henrique é colaborador do ProjetoAtivo, criando conteúdos sobre planejamento financeiro, análise de hábitos de consumo e estratégias práticas para uma vida financeira mais ativa.